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10/09/2014

(九字切り (Kuji-kiri)




Muito utilizado em filmes estereotipados com influência da cultura indo-oriental na década de 80, o Kuji Kiri é um conjunto de técnicas para criar "selos" com a mão com o objetivo de moldar o ki e os camposa magnéticos corporais através da meditação. Com isso, determinados níveis físicos e espirituais são atingidos.



A prática é antiga. Algumas fontes cravam sua origem no Hinduísmo, que derivou ao Budismo e um de seus resultados diretos é o Reiki. Seu nome hindu é mudra e o próprio hinduísmo é uma filosofia contemplativa baseada na preparação mental e corporal para conseguinte meditação contemplativa, enquanto o reiki é mais uma prática espiritual baseada na canalização do ki em kuji kiri.






O Kuji Kiri foi criado basicamente na observação do ser humano, com determinadas posições de mãos sendo assumidas ou repetidas de maneira inconsciente durante um monólogo, um diálogo ou apenas na maneira própria de cada indivíduo de voltar toda sua atenção para algo:


 






 


Segundo a cultura oriental, as mãos são uma representação microscópica palpável do corpo humano, ao contrário do homúnculo. Quando assumimos determinada posição, estamos moldando o Ki para assumir determinada condição. Logo, pode-se dizer que o corpo está sendo preparado ara determinada ação específica:



























É importante estudar a técnica de Selos de Mão devido à relação intrínseca com a filosofia do Aikido. Primariamente, o Kuji Kiri possui alguns passos prévios para atingir o resultado esperado, dentre eles a respiração correta e controlada. Aqui vale ressaltar a importância para a respiração dada tanto pelo Ninjutsu quanto pelo Aikido (Kokyu Ho). Subsequentemente, o ninjutsu se utiliza de posições da mão para atingir determinado aspecto de canalização do ki bem como as posicões de Lótus, Seiza e Agura e o Aikido usa conceitos básicos, como por exemplo o próprio Kokyu Ho e a simples posição de Seiza. Por fim, o Ninjutsu procura moldar o Ki vendo o Kuji Kiri como meio, ao passo que o Aikido reconduz e harmoniza o Ki como finalidade.



16/10/2013

Foque sua mente de macaco (parte 3) / Focus your monkey mind (part 3)


As artes marciais são um dos caminhos que levam a isso. Quando se entra no dojo, temos de realizar uma série de atos ritualísticos (cumprimentar a foto do Ueshiba, o sensei e aquele que está guiando o aquecimento, no caso de se chegar atrasado). Um japonês diria, ainda, que a prática da arte marcial começa antes mesmo de se pisar no tatame. É do lado de fora, quando tiramos nossos calçados. O modo como nos posicionamos revela o estado da nossa mente. Se estiverem todos desordenados, é como nossa mente estará.


Durante a execução das técnicas, a atenção também deve ser mantida. Se tomarmos o aikido como referência, isto deve ser feito de forma ainda mais acurada. A complexidade da arte fica evidente na sutileza e simultânea precisão de cada técnica. É tudo muito leve, mas também muito poderoso se feito de maneira correta. E a maneira mais correta de fazer é esta, focado, atentamente. Cada posição que o corpo assume, cada modificação que isso causa no corpo daquele que recebe o golpe (uke).

Mestre Takamatsu

Se fôssemos japoneses, acrescentaríamos algo: não falar. Uma das peculiaridades da didática nipônica é que devemos aprender a técnica sendo uke, enquanto o tori está executando-a. Morihei Ueshiba, fundador do aikido, ensinava assim. Grandes ícones de outras artes marciais como Takamatsu Toshitsugu, mestre de ninjutsu, aprenderam tudo o que sabiam assim também. Este último diz que ficou por anos sendo jogado de um lado por outro por seu mestre. Tudo o que ele fazia era isso, além de falar pouco durante as aulas, saindo de sua boca somente esporros e exortações à disciplina. Isso facilitava à emergência dessa capacidade de penetrar no agora. E mais importante, - para aqueles que não querem apenas desenvolver isso, mas também as propriedades do despertar típicas da prática budista– não falar nos mantém longe do simulacro dualista da realidade à qual estamos mergulhados desde que nascemos e aprendemos a categorizar as coisas, o que causa a maioria dos problemas em nossa vida.



Outro ponto válido estimulado pela prática do aikido é a respiração. Respirar todos nós conseguimos, mas respirar corretamente é uma raridade. Na maioria das vezes, interrompemos nossa respiração normal e a prendemos sem nem mesmo perceber. 


Mestre Ueshiba

Desenvolvendo a atenção plena como descrevi antes, com pouco tempo de prática, nos tornamos capazes de perceber que ao acessar nosso e-mail interrompemos o inspirar e expirar. Podemos chamar isso informalmente de "apneia por e-mail". E como toda apneia, provavelmente ela traz malefícios.



Na prática da arte marcial, se quisermos fazer direito, temos que saber a hora certa de puxar o ar para dentro e de expirá-lo. Isso tem que ser feito levando-se em conta toda a movimentação que se está fazendo. Quando for esquivar, quando for dar um kime, tudo isso deve se feito em conjunto com o ato de respirar.



“Todas essas coisas, o arco, a flecha, o alvo e eu estamos enredados de tal maneira que não consigo separá-las. E até o desejo de fazê-lo desapareceu. Porque, quando seguro o arco e disparo, tudo fica tão claro, tão unívoco, tão ridiculamente simples.” ~ Eugen Herrigel em A arte cavalheiresca do arqueiro zen.

Leia os posts anteriores aqui:

21/09/2013

Foque sua mente de macaco (parte 1)



Geralmente, um cidadão médio hoje tem seu dia-a-dia repleto de tarefas. Faz faculdade, trabalha, matricula-se em algum curso de línguas, tem que cuidar do filho, fazer uma presença nas “sociais” com amigos e família, e ainda tenta se desdobrar para ter poucos minutos de prazer vendo um filme, lendo, escrevendo ou praticando algum esporte como hobby. Esse é o mínimo, e aprendemos a ter essa rotina bagunçada desde pequenos.

Se observarmos bem a nós mesmos, nossa mente também é assim. Nossa mente de macaco, como diria Suzuki Roshi:
...."quando você não acredita no significado da prática que está fazendo neste momento, nada pode ser feito. Está às voltas com o objetivo, com a sua mente de macaco. Está sempre procurando por algo sem saber o que está fazendo. Se você quer ver uma coisa, deve abrir os olhos."... ~Texto de Shunryu Suzuki, extraído do livro "Mente Zen, Mente de Principiante"
A nossa mente nunca fica parada, sempre está procurando algo para perscrutar. É como se fosse um esquilo ou um cão, permanentemente farejando tudo à volta.

Isso é lamentável, pois funcionando dessa forma estamos boicotando nossa própria capacidade de aproveitar os momentos, de estarmos presentes verdadeiramente. Pode parecer besteira, mas a atenção plena aplicada a cada coisa que fazemos é importantíssima. E existem formas de cultivar isso.

Toda a cultura japonesa, com todo seu minimalismo e ênfase aos detalhes, é um solo fértil para o desenvolvimento dessas faculdades. As artes marciais japonesas assimilaram todo esse costume, ajudando a formar – e sendo influenciado pelo já existente – todo o corpo de práticas no sentido de nos fazer valorizar cada segundo – afinal, para um samurai, um milésimo de segundo era o suficiente para ser cortado por uma afiada katana.